Exportar produtos: pequenas empresas também podem

Exportar produtos: pequenas empresas também podem

Quando falamos em vender para o exterior, muitas pessoas têm a ideia de que isso está restrito apenas às grandes organizações. Mas não é bem assim. Vamos mostrar que exportar produtos é um desafio que vale a pena ser encarado e que não é tão complicado como parece. Acessar outros mercados e ampliar as possibilidades de fazer negócios é algo que também pode fazer parte do horizonte das pequenas empresas. É necessário conhecer os processos e estar preparado.

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Antes mesmo de iniciar o processo de exportação, analise um aspecto essencial: a organização interna. É importante que tudo esteja em ordem, com os processos e a gestão, funcionando corretamente. Então, verifique cada detalhe, apare qualquer aresta que tenha ficado e não deixe para arrumar a casa com contratos já em andamento, pois isso pode ser fatal e resultar em sérios prejuízos. Imagine, por exemplo, descobrir que há problemas no fluxo de caixa ou na logística depois que fechou uma venda para outro país. Um problema e tanto para corrigir com o barco em movimento (literalmente, em muitos casos).

Uma das principais vantagens de exportar é ampliar o volume de vendas da empresa, conseguindo novas fontes de recurso e, consequentemente, aumentando o lucro. Além disso, pode ser uma forma de utilizar a capacidade ociosa de produção.

O produto também terá um ganho de qualidade, já que será submetido a outros padrões de qualidade e exigências de consumidores. Muitas vezes, o que é aplicado para fora pode ser revertido para o mercado interno.

Para onde exportar produtos?

Depois de deixar tudo em ordem e fazer os ajustes necessários, é hora de decidir qual será o destino da exportação. Nesta etapa é fundamental pesquisar muito e estudar os diferentes mercados, identificando quais estão mais abertos aos seus produtos. Conheça as barreiras, as certificações exigidas, as particularidades culturais de cada país, as taxas, os concorrentes, os acordos comerciais, os níveis de demanda e outros detalhes.

Para isso, o empreendedor pode visitar feiras internacionais de negócios, fazer contatos, conversar com outros profissionais, trocar ideais e conhecer experiências de internacionalização. Também existem as missões comerciais realizadas pelos governos municipal, estadual e federal, que têm justamente o objetivo de prospectar a exportação.

No entanto, se achar que precisa de ajuda, o empresário pode recorrer a consultores ou procurar os serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), das Federações de Indústrias ou da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Qualquer uma dessas alternativas oferecerá todo o suporte necessário e dará orientação para o processo de exportação.

Adequação do produto e da produção

Depois de escolher o destino, a empresa terá de adequar-se ao novo mercado. Nesse momento, é importante rever a embalagem, o idioma, as exigências técnicas e sanitárias, as certificações e os outros detalhes burocráticos. Às vezes, dependendo das diferenças culturais, até mesmo o nome do produto precisa ser alterado para que ele possa ser melhor aceito no país de destino.

Para adaptar o produto e torná-lo acessível aos consumidores estrangeiros, é essencial também realizar mudanças na forma de produção, cumprindo com algumas exigências básicas internacionais e buscando certificados aceitos em diversos países.

Um exemplo disso é o das agroindústrias brasileiras, que se especializaram em abates religiosos para conquistar povos cuja fé rege também os hábitos alimentares, como é o caso do Oriente Médio, onde a maioria da população (90%) é muçulmana.

Carnes com abate diferenciado, conhecido como halal, ganharam espaço nas linhas de produção de grandes empresas. O frigorífico Minerva, de Barretos (SP), passou a ter, inclusive, o cargo de supervisor islâmico, responsável por garantir que os processos seguem as exigências religiosas.

Marketing

Da mesma forma como promove seus produtos no mercado interno, a empresa também deve fazer isso nos países aos quais pretende entrar, sempre respeitando e compreendendo características culturais.

A Alpargatas, para fortalecer a marca Havaianas no exterior, apostou em diversas ações pontuais de marketing. Uma delas foi entregar um par das sandálias aos indicados ao Oscar na edição de 2003 do evento.

Definição dos preços

O primeiro ponto de atenção é que os preços aplicados no mercado interno não devem ser utilizados para o comércio com outros países. Isso porque existem algumas diferenças de tributos e outros custos. Para formar o preço a ser aplicado no exterior, é necessário excluir os elementos como ICMS, IPI, PIS e COFINS, que são aplicados apenas internamente e não na exportação.

Depois, é preciso incluir as despesas que não integram a composição do preço interno, como gastos com a embalagem de exportação, com o transporte do produto até o local de embarque e com a comissão de agente no exterior.

Lembramos que na formação do preço também devem ser levado em conta outros fatores, como sazonalidade, concorrentes, políticas locais e comportamento dos consumidores. Portanto, a estratégia de exportação poderá influenciar diretamente o valor que você cobrará pelo produto. Para marcas pouco conhecidas, por exemplo, há a possibilidade de, inicialmente, adotar uma precificação mais acessível.

Transporte

A forma pela qual você enviará as mercadorias para o exterior também será determinante na viabilidade do negócio. O transporte pode ser feito por via marítima, fluvial, ferroviária, rodoviária e aérea. Cada uma delas possui vantagens e desvantagens em relação ao país com o qual sua empresa fechará um negócio. Para determinadas regiões, com pouco acesso ao mar, a melhor alternativa é o avião. Em outros casos, dependendo da distância, há mais vantagem em utilizar caminhões. Enfim, tudo deve ser analisado.

Processos administrativos

Você decidiu comercializar seus produtos no exterior e se preparou para isso. Agora é hora de correr atrás dos trâmites burocráticos. Aí entra o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), que  integra as atividades de registro, de acompanhamento e de controle de comércio exterior, realizadas pela Secretaria de Comércio Exterior, do MDIC, pela Receita Federal e pelo Banco Central.

Para que possam acessar o Siscomex, as empresas precisam se registrar no Sistema Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros, na Receita Federal. Depois disso tem o Registro de Exportadores e Importadores (REI), que é concedido automaticamente após a primeira exportação.

A operação de exportação exige ainda uma série de documentos contábeis e administrativos. Veja quais são:

Documentos exigidos ao exportador

  • Inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI) da SECEX/MDIC
  • Documentos referentes ao Contrato de Exportação
  • Fatura Pró-Forma
  • Carta de Crédito
  • Letra de Câmbio
  • Contrato de Câmbio

Documentos relacionados ao contrato de exportação

  • Registro de Exportação no Siscomex
  • Registro de Operação de Crédito (RC)
  • Registro de Venda (RV)
  • Solicitação de Despacho (SD)
  • Nota Fiscal
  • Conhecimento de Embarque
  • Fatura Comercial (Commercial Invoice)
  • Romaneio (packing list)
  • Certificado de Origem
  • Legalização Consular
  • Certificado ou Apólice de Seguro
  • Borderô ou Carta de Entrega

E se a exportação virasse uma rotina?

A partir do momento em que o empreendedor escolheu internacionalizar seu negócio, ele não pode considerar a exportação como uma atividade adotada de acordo com as movimentações do mercado. Deve ser algo constante, com a destinação de parte da produção para essa operação. A empresa deve estar sempre preparada para absorver as demandas externas.

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Agora que você está por dentro do processo de exportação, pode ser a hora iniciar as pesquisas para levar seu negócio a outros países. A ContaAzul está aqui para dar todo o suporte na gestão financeira, permitindo que a empresa possa caminhar de forma segura rumo a um mercado globalizado.

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