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Como preparar a sucessão do meu escritório contábil?

Vinicius Roveda Vinicius Roveda | Atualizado em: 04/07/2023 | 8 mins de leitura

Como preparar a sucessão do meu escritório contábil?

Moacir é contador há 25 anos. Quando se formou na faculdade de Ciências Contábeis, casou-se e realizou o sonho de montar seu escritório de contabilidade. Com muito trabalho e seriedade, conquistou clientes, construiu uma equipe e criou um negócio do qual pode se orgulhar.

Hoje, passado o tempo e com bastante experiência acumulada, Moacir percebe que já é hora de planejar sua sucessão. Afinal, ele quer dar continuidade ao seu legado e também garantir que sua aposentadoria não seja motivo de dor de cabeça para seus clientes, pequenos empresários da região onde está a sede do escritório. Marcos, seu filho mais velho, está cursando veterinária e não mostra interesse pelo escritório. Já sua filha Juliana também escolheu a contabilidade como profissão, e é sua sucessora natural.

No seu escritório de contabilidade, você é o dono, como Moacir, ou está na posição de quem pensa em se tornar um empresário contábil?

Ambos têm um grande desafio pela frente! Com planejamento e metodologia, o processo de transição entre gerações pode ser mais tranquilo e eficiente. É muito importante que ele seja bem conduzido, afinal, as decisões tomadas nesse tipo de negócio têm um impacto significativo para os envolvidos na empresa, para os clientes e para a economia. Confira no quadro abaixo a força da empresa familiar no Brasil:

Dados sobre sucessão familiar no Brasil

  • No Brasil, mais de 90% das empresas são familiares (IBGE);
  • Apenas 11% têm um plano de sucessão robusto e documentado (PwC);
  • 67% encerram suas atividades por problemas sucessórios (Dr. Nacir Sales/SEBRAE);
  • Empresas familiares têm rentabilidade 3% superior, em média, à de negócios não familiares (McKinsey).

Você já deve ter notado também que a gestão de um negócio familiar tem peculiaridades que demandam atenção redobrada para a sucessão, porque envolve laços de afeto, expectativas pessoais e responsabilidade profissional. Se ainda não pensou nisso com calma, confira as principais vantagens e desafios que te esperam:

Vantagens da sucessão familiar no escritório de contabilidade:

  • O dono conhece e confia no sucessor;
  • Não existe uma barreira de hierarquia na comunicação, o que agiliza a tomada de decisão;
  • Como o(a) filho(a) acompanha a rotina do pai/mãe há anos, existe uma familiaridade com as pressões do mercado e a maneira de reagir a elas;
  • Existe um sentimento de compromisso entre as partes, em relação aos valores da empresa, resultados desejados e evolução do escritório contábil.

Desafios da sucessão familiar na área da contabilidade:

  • Os clientes vão precisar ganhar segurança no novo responsável;
  • Os funcionários deverão respeitar a nova liderança;
  • O novo dono pode precisar de respaldo por um tempo, diante de tamanha responsabilidade;
  • Pode existir dificuldade para chegar a um consenso sobre a forma como o escritório é administrado, pois a nova geração chega com novas ideias e opiniões que podem divergir das do fundador.

De acordo com o empresário Jair Moggi, da Adigo Consultores, autor do livro – “Empresa de Família: Crescimento, Desenvolvimento, Perpetuidade”, a preparação da sucessão na empresa familiar deve ser feita o quanto antes para mitigar as dores do futuro. O Sebrae complementa afirmando que, durante o processo, é preciso separar claramente os conceitos de família, propriedade e empresa, baseado em quatro pilares:

Como preparar a sucessão do meu escritório contábil?

A preparação do dono do escritório contábil para deixar o posto

É muito comum que o fundador do escritório tenha dificuldade de se afastar do dia a dia, principalmente nos momentos de maior pico, como o período da entrega do Imposto de Renda ou na entrada de uma nova obrigação fiscal.

O Moacir, da nossa história fictícia, conhece as dificuldades de cada cliente, sabe como conseguir as informações certas e tem a percepção de que se ele agir, tudo será mais prático. Pode até ser, mas, dessa forma, a Juliana terá mais dificuldade para tomar as rédeas do negócio e fazer as coisas caminharem do seu jeito.

Esse tipo de atitude acontece, porque, naturalmente, surge a percepção de finitude da idade produtiva. Para que a transição seja mais suave, o contador deve trazer seu sucessor aos poucos para dentro do escritório. Ambos vão ganhando confiança e alinhando a forma de trabalho que será estabelecida futuramente.

Esmeralda Queiroz, consultora do Sebrae-SP, explica que “o curso natural é que o pai sinta segurança no filho, perceba que é a hora de delegar mais responsabilidade e aos poucos vá se afastando e deixando a empresa sob os cuidados do sucessor”.

Existe também um cenário no qual o sucessor ainda não está pronto para assumir e o fundador do escritório já precisa se ausentar, ou reduzir bastante sua presença. Em uma situação como essa, existe a possibilidade de contar com um profissional de mercado, capaz de dar continuidade ao trabalho enquanto o sucessor amadurece e se prepara para ocupar o cargo no futuro.

No modelo de gestão terceirizada, pode-se controlar a performance do gestor externo por meio da prestação de contas e acompanhamento das estratégias adotadas, participando ativamente da tomada de decisão, como um consultor/conselheiro do seu próprio negócio.

A preparação do sucessor para assumir a liderança

Para assumir o escritório contábil com propriedade e segurança, é fundamental que a Juliana conheça detalhadamente a rotina de trabalho e os desafios de todas as áreas, desde a triagem e conferência dos documentos das pequenas empresas, passando pela parte fiscal, contábil, pessoal, entre outras.

Esse processo fará com que ela tenha uma visão completa do negócio, gerando credibilidade com funcionários e clientes. Em muitos casos, o fundador do escritório e seu sucessor trabalham lado a lado por um tempo, estruturando um processo de transição gradual e transparente.

O principal desafio do sucessor é garantir que o escritório se mantenha competitivo, mesmo sem a figura de seu fundador participando ativamente da operação. A nova liderança deve alimentar o espírito inovador, buscando informações sobre as tendências digitais e tecnologias disponíveis no mercado para acompanhar as mudanças, mantendo o padrão de atendimento ao cliente.

Com esse foco, a Juliana da nossa história pode, por exemplo, expandir a atuação do escritório implantando um modelo de escritório de contabilidade online e assim, atender pequenas empresas de diversos estados sem, necessariamente, realizar mais investimentos.

Também é papel da nova geração contribuir para criar um novo modelo de negócio dentro da área contábil. Você sabia, por exemplo, que a maior empresa de táxi do mundo (Uber) não tem sequer um carro em seu nome? Que o principal provedor global de hospedagem (Airbnb) também não é proprietário de um único hotel ou casa de aluguel? São os modelos chamados disruptivos, que criam uma forma totalmente diferente de fazer negócio, focando na necessidade das pessoas — e, no caso dos dois exemplos citados, com um custo infinitamente menor do que os modelos tradicionais de hospedagem e transporte executivo. É esse pensamento que se espera dos novos líderes do mercado de contabilidade.

Etapas de amadurecimento do sucessor:

  • Competência técnica, com formação na área e cursos de especialização;
  • Experiência externa em outros escritórios de contabilidade;
  • Vivência em todas as áreas do escritório;
  • Visão estratégica, com foco em produtividade e competitividade;
  • Capacidade de aprendizado, inovação e evolução constante.

Como você viu, a sucessão é um tema sério que exige preparo tanto do fundador do escritório quanto do seu sucessor, afinal, a credibilidade da empresa levou anos para ser construída e é o maior patrimônio que se pode herdar.

Por outro lado, o processo é uma excelente oportunidade para avaliar como o seu escritório contábil vem atuando e como pode melhorar sua atuação, considerando as novas ideias e tecnologias propostas pela nova geração.

Pense nisso e boa jornada!

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