Como estruturar e usar a DRE na tomada de decisões

10 Comentários Publicado:  Assunto: Contabilidade
Como fazer e usar o DRE a seu favor

Anualmente, as empresas precisam disponibilizar o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) para a Receita Federal, um relatório em que é apresentada a síntese financeira de suas atividades operacionais e não operacionais durante determinado período. Em outras palavras, o documento evidencia como foi obtido o resultado líquido da empresa no tempo estabelecido para análise e, para isso, são confrontadas receitas, custos e despesas apurados.

Este documento é uma ferramenta bastante poderosa para que os gestores tenham uma visão detalhada das transações financeiras, de modo que é possível ter um controle maior em relação ao caixa. Desta forma, embora o demonstrativo seja elaborado anualmente para a divulgação de informações, conforme determina a lei, também costuma ter uma versão mensal, para fins administrativos, e trimestral, para fins fiscais.

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O DRE é obrigatório para todas as empresas, no entanto, a forma como ele é apresentado é diferente, dependendo da constituição delas. As Sociedades Anônimas (S.A.), por exemplo, precisam tornar o resultado público no diário oficial ou em veículos de comunicação. As Sociedades Limitadas (LTDA), por sua vez, decidem o período do exercício e arquivam o documento impresso e encardernado para apresentar ao Fisco em caso de fiscalização.

Uma das vantagens do DRE é facilitar e tornar as tomadas de decisão mais assertivas. Isso porque ele reúne e apresenta com exatidão as informações necessárias para avaliar o desempenho da empresa e medir o alcance dos objetivos estabelecidos para cada uma de suas áreas. É este documento que, juntamente com o demonstrativo do fluxo de caixa e o balanço patrimonial, aponta como está a saúde financeira de qualquer empresa, independente de seu porte ou segmento.

Como estruturar o DRE

A elaboração do demonstrativo é feita de forma simples para que todos os gestores, financeiros ou não, possam interpretar corretamente os dados e, assim, buscar caminhos para melhorar a receita líquida. Desta forma, o relatório deve ser elaborado de forma sequencial e lógica (receitas menos dedução de impostos, custos e despesas), podendo conter tanto dados contábeis quanto administrativos. O importante é que ele sempre obedeça ao princípio do regime de competência.

De acordo com esse regime, o registro de todo documento deve ser feito na data em que o evento aconteceu, seja uma entrada (vendas), seja uma saída (despesas e custos). Em uma linguagem mais técnica, trata-se do registro do documento na data do fato gerador, não importando o dia de pagamento ou recebimento. Essa forma de registrar todas as receitas e despesas é utilizada pela contabilidade.

De forma resumida, o Demonstrativo de Resultado do Exercício em uma empresa é estruturado conforme a tabela abaixo. Na sequência, confira o que significa cada item.

+

Receita de vendas

-

Deduções de impostos

=

Receita líquida

-

Custo de produtos vendidos

=

Lucro bruto

-

Despesas fixas

=

Resultados antes do IRPJ e CSLL

-

IRPJ e CSLL

=

Resultado líquido

1. Receita de vendas

Receita corresponde à entrada de dinheiro no caixa de uma empresa ou no patrimônio de alguém, em espécie ou créditos representativos de direitos (documento que garante ao proprietário a posse de mercadorias ou bens). Nesse caso, o valor é obtido a partir das vendas de bens (produtos, terrenos), prestação de serviço (tarefa executada em um determinado período a partir de uma contrato) e recebimento de juros, royalties e dividendos pelo uso de outros ativos por terceiros.

2. Deduções de impostos

Deduzir significa diminuir, subtrair ou retirar uma parte do total. Em outras palavras, quando falamos dos impostos, estamos nos referindo ao valor destinado ao pagamento deles. A expressão também é utilizada quando o valor total a ser pago é reduzido por algum fator. O Imposto de Renda é um exemplo bem prático. Ao declará-lo, as deduções podem diminuir o valor pago, aumentando as chances de restituição.

3. Receita líquida

A receita líquida corresponde ao montante exato que a empresa recebe pela venda de seus produtos ou serviços. Por isso, para representar o valor real de ganho, a receita líquida é obtida a partir de todo o valor adquirido com as vendas (receita de vendas) menos o desconto com os impostos (dedução).

4. Custo de produtos vendidos (CPV)

O CPV corresponde a todos os custos referentes à fabricação de um produto. Engloba toda a quantia que uma empresa precisa desembolsar para que a fabricação do produto que ela vende seja possível. Aqui são incluídos a compra de matéria-prima, energia, água etc.

O lucro bruto refere-se à diferença entre o que foi faturado (receita líquida) e o que foi gasto na produção da mercadoria (custo de produtos vendidos). Esse valor é um item importante para analisar o andamento do negócio, um vez que mostra o lucro real obtido pela empresa.

6. Despesas fixas

As despesas fixas são todos os gastos necessários para garantir o funcionamento da empresa. Por isso, são caracterizadas pela periodicidade mensal, independente de ter ou não faturamento. As contas de consumo geral, como água, energia e telefone, são exemplos dessas despesas. É importante lembrar que os custos de produção não são incluídos aqui.

7. IRPJ e CSLL

IRPJ é a sigla utilizada para denominar o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, aplicado a todas as empresas e sociedades, registradas ou não. Outra taxa que deve ser paga pelas empresas é a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Ela recebe as mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ, mantendo a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação.

8. Resultado líquido

Por fim, temos o resultado líquido, obtido a partir da subtração dos impostos e taxas pagas do lucro bruto. Esse valor corresponde ao resultado de uma empresa, considerando os ganhos e descontos em determinado período. O resultado líquido é, portanto, bastante importante para realizar financiamentos próprios, investimentos ou ser dividido entre sócios, acionistas e funcionários.

DRE para decisões melhores

Com essas informações, vai ficar mais fácil para você elaborar seu DRE e fazer um controle melhor do dinheiro da sua empresa. Afinal, a saúde financeira é fundamental para qualquer negócio! Conte com a gente para te ajudar nessa empreitada.

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Marcelo dos Santos
Sobre o autor

Chief Growth Officer (CGO) da ContaAzul. Formado em Ciências Contábeis, tem MBA em Administração Global pela Universidade Independente de Lisboa e MBA pela Fundação Getúlio Vargas.

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