Administração de capital de giro: erros e acertos

0 Comentários Publicado:  Assunto: Controle Financeiro

Planejando a administração de capital de giro

A administração de capital de giro ainda representa um desafio para empresas, em especial às MPEs. De fato, nem todo empreendedor consegue formar um montante suficiente de capital que garanta a continuidade de suas operações sem depender de empréstimos ou financiamentos.

Há quem se assuste, por imaginar que não é possível acumular reservas que permitam financiar o negócio. No entanto, com planejamento e um pouco de disciplina, dá para, pelo menos, diminuir a dependência de terceiros.

O melhor cenário é sempre aquele em que uma empresa depende exclusivamente de capital próprio para manter suas atividades. Para que isso passe a ser realidade, acompanhe o artigo até o final e deixe para trás os dias de aperto financeiro em sua empresa.

Neste artigo, você vai ver:

  • O conceito de capital de giro
  • O que é capital de giro líquido
  • Como calcular a necessidade de capital de giro líquido
  • Como gerenciar corretamente o capital da empresa
  • Por que ter capital de giro próprio é o cenário ideal
  • Quando o financiamento não é recomendável
  • Por que o autofinanciamento é uma solução
  • A importância de negociar com parceiros e fornecedores.

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O conceito de capital de giro

Para começarmos a compreender o que significa exatamente a administração de capital de giro, vamos recorrer a influentes autores com produção acadêmica sobre o tema.

De acordo com Alexandre Assaf Neto e César Augusto Silva, no livro Administração do Capital de Giro (Ed. Atlas): “A administração do capital de giro diz respeito à administração das contas dos elementos de giro, ou seja, dos ativos e passivos correntes (circulantes), e às inter-relações existentes entre eles”.

Primeiramente, devemos observar que a própria expressão giro é alusiva a um ciclo, simbolizado pela saída de recursos (passivo) e pela entrada deles (ativo). Podemos imaginar, iconicamente, o símbolo da reciclagem como uma representação gráfica desse giro.

A equação não chega a ser complexa. Trata-se de garantir os recursos necessários para manter a empresa em atividade por um dado período, sem recorrer a financiamentos externos.

Deve-se sempre considerar que negócios geram despesas, decorrentes do pagamento de insumos, fornecedores, contas de água, luz, internet e tudo que exige recursos financeiros. Para haver lucro, afinal, não há como deixar de arcar com as despesas correspondentes.

O capital exigido para a continuidade de uma empresa não se resume apenas a um valor bruto. É muito importante conhecer também uma outra aplicação do capital de giro. Trata-se do CGL, o Capital de Giro Líquido.

Entendendo o CGL

O Capital de Giro Líquido é o montante percebido quando se confrontam as receitas e as despesas de um determinado período, que pode ser de um mês, por exemplo. A diferença é que o CGL considera, além das despesas operacionais, todos os ativos disponíveis que componham reserva financeira.

Do lado do passivo, na conta do CGL entram também empréstimos contraídos. O resultado dessa conta é o que se convenciona chamar de capital circulante líquido (CCL). Sendo assim, o cálculo do CGL é muito importante para saber se a empresa terá como arcar com as despesas mais imediatas.

 Administração de capital de giro ajuda pequenas empresas

Como calcular a necessidade de capital de giro

Não basta saber que o capital de giro é fundamental para a sobrevivência de uma empresa. É imprescindível calcular com precisão o seu valor, caso contrário, todo esforço em gestão será infrutífero.

Tudo começa em levantar e separar os custos fixos, aqueles que, se não forem cobertos, torna-se impossível a própria existência do negócio. Algumas dessas despesas são folha de pagamento, custo de veículos, aluguéis e contas de água, luz e internet.

Somadas essas despesas, é hora de saber o quanto será preciso vender em produtos ou executar em serviços para que elas sejam quitadas e o lucro que se poderá obter a partir disso.

Quem trabalha com estoques precisa também incluir esse ativo na conta. Supondo que uma empresa perceba ao fim do mês lucro de R$ 1.000,00, com R$ 300,00 imobilizado em estoque, com o valor das despesas totalizando R$ 500,00, a conta poderia ser disposta da seguinte forma:

VCR + VE - VCP = Capital de Giro, onde:

VCR = Valor das Contas a Receber = R$ 1.000,00

VE = Valor em Estoque = R$ 300,00

VCP = Valor das Contas a Pagar = R$ 500,00

1.000 + 300 - 500 = 800

Temos então o valor de R$ 800,00 estipulado como necessidade de capital de giro mensal para a empresa em questão.

Gerenciando o capital acertadamente

A gestão do capital de giro é um ponto crítico no sentido de manter as reservas em equilíbrio. Não adianta compreender a importância do capital de giro e como calculá-lo se, ao longo do tempo, não houver controle sobre as reservas.

O gerenciamento do dinheiro usado para sustentar uma empresa deve ser observado de maneira cuidadosa por um simples fato: há períodos em que se vende mais; já outros em que as vendas caem.

Além da dessas variáveis, há outras que podem comprometer a integridade do capital de giro. Em um exemplo muito rápido, vamos imaginar que, durante seis meses, aquela empresa que precisa de R$ 800,00 conseguiu manter essa reserva todo mês. Mas, no sétimo mês, as vendas declinaram 30%.

Sendo assim, para que a meta de capital de giro permaneça em R$ 800,00, a empresa deverá lançar mão de medidas de contenção de gastos para que suas reservas não se esvaziem.

Não basta calcular o quanto precisa ter sobrando todo mês. É necessária a permanente reavaliação das receitas e despesas, para que os ajustes sejam feitos sem que a margem definida como necessária para o giro caia.

Deve-se ter atenção ao corte de gastos como primeiro recurso utilizado para preservar o capital de giro. Essa prioridade deve ser observada porque incrementar a produção gera mais despesas com insumos. Portanto, será uma medida que vai naturalmente exigir o aumento na margem estipulada para o giro.

A redução de custos, assim, é o alvo principal quando as reservas estão ameaçadas. Para isso, algumas iniciativas indicadas são:

  • Renegociar juros cobrados por empréstimos contraídos junto a instituições financeiras
  • Garantir junto aos clientes que compras realizadas de forma parcelada serão realmente pagas nos prazos determinados - ter uma boa política de cobrança para isso
  • Uma revisão anual em contratos de empréstimos com bancos e credores pode gerar impactos positivos em termos de redução de gastos
  • Ajustar o recebimento de mercadorias com fornecedores, de maneira que, ao receber os produtos, eles sejam vendidos rapidamente, evitando acúmulo em estoque.

Como se pode perceber, o gerenciamento do capital de giro implica, fundamentalmente, em cortes de despesas. Tudo para que sua integridade não seja ameaçada, o que equivale a dizer que a própria empresa está sendo preservada.

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Capital de giro próprio é o cenário ideal

Há diversos elementos que podem entrar na composição do capital necessário para que uma empresa sustente suas atividades. Alguns deles podem representar receitas a serem auferidas imediatamente, outras a prazo e algumas não podem ser usufruídas por fazerem parte de bens imóveis ou indisponíveis.

Uma parte do capital de giro que infelizmente passa a fazer parte das operações em empresas sem muito planejamento é aquele com origem em financiamentos ou empréstimos.

Significa que o ciclo operacional de uma empresa está sendo viabilizado por injeções de capitais que vêm de bancos ou instituições financeiras que emprestam dinheiro a juros.

O que se observa em parte do pequeno empresário é que não se sabe detectar a hora certa de pedir um empréstimo bancário. Essa parcela pouco disciplinada costuma até mesmo confundir finanças pessoais com as da empresa. Quando esse comportamento se repete, as consequências são fatais.

Nunca é demais relembrar que empréstimos não são proibidos. Pelo contrário, empresas em expansão, via de regra, têm no capital de terceiros talvez uma das poucas fontes de recursos para financiar projetos de expansão. Quando feito com planejamento e controle, o financiamento é uma alternativa que confere fôlego extra às finanças.

Quando o financiamento não é recomendável

Os empréstimos tornam-se um problema, entretanto, quando se incorporam ao capital de giro da empresa. Em geral, o impasse acontece por conta dos juros. O dinheiro de terceiros não cai na conta da empresa sem uma contrapartida.

Juros são os valores cobrados como pagamento pelo dinheiro obtido pelas instituições financeiras. Sendo assim, são na verdade uma despesa a mais, que se assumida sem planejamento, tende a comprometer a saúde das finanças.

É por isso que o mais indicado é contar somente com capital de giro próprio. Ele é composto pela diferença entre patrimônio líquido e pelo ativo permanente. Tudo que é investido em uma empresa, lucros e eventuais reservas fazem parte do patrimônio líquido.

Já o ativo permanente é composto pelos bens imóveis e que não representam “dinheiro na mão”, pois exigem tempo para serem convertidos em capital. Entram nessa conta imóveis, veículos, equipamentos e outros de natureza similar.

Quando o ativo permanente é financiado por recursos próprios, significa que a diferença entre patrimônio líquido e seu montante é positiva. Por outro lado, saldo negativo nessa operação diz que o capital de giro não basta. Normalmente, a solução é recorrer a capitais de terceiros para financiar as operações.

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Autofinanciamento é uma solução

Nada vem por acaso, muito menos dinheiro. Embora seja uma verdade incontestável, não significa que a captação de dinheiro deva depender de fontes externas. Como acabamos de ver, ter recursos próprios é sempre a melhor forma de manter a empresa a salvo dos juros cobrados em empréstimos externos.

Surge, então, uma modalidade de obtenção de recursos chamada de autofinanciamento. O nome já sugere o seu significado, e realmente não é nada diferente do que parece. De forma bastante resumida, autofinanciar equivale a elaborar estratégias que permitem o negócio ser autossustentável, sem que precise do apoio externo para financiar suas atividades.

Uma outra forma de autofinanciamento é conhecida como bootstraping. A diferença é que ela é usada para definir a procedência dos capitais usados para dar início às atividades de startups.

Empresas que estão começando no mercado, como é o caso das startups, podem recorrer a agentes externos para financiar suas operações. Geralmente, esses players são empresas aceleradoras ou os investidores-anjo.

O entrave percebido para a efetivação do bootstraping é que ele pode demorar a ponto de tornar defasado o negócio antes mesmo da empresa nascer. Isso porque startups, via de regra, são empresas com forte viés de inovação, portanto, precisam ser lançadas no timing adequado.

O bootstraping, ou seja, o autofinanciamento para startups, embora seja mais saudável financeiramente, demanda mais tempo. Será preciso acumular o capital necessário para viabilizar a startup, e tempo é o que geralmente menos se tem disponível.

Portanto, seja autofinanciando ou por meio de bootstraping, a correta avaliação do tempo é fundamental para garantir o sucesso ao compor o capital de giro.

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Não negociar com parceiros e fornecedores é um erro

Assim como o dinheiro não surge do nada, ninguém vai saber das necessidades de sua empresa se você não se reporta a quem é de direito. Isso significa que, mais do que capacidade de gerar receitas, você deverá também desenvolver a habilidade de negociar, e isso envolve diálogo e poder de persuasão.

A gestão de uma empresa exige a permanente disposição em seguir as regras do mercado. Uma delas é que nem sempre as vendas caminharão bem. É para esses momentos de dificuldade que sua empresa deverá estar preparada.

Num contexto de crise, é dialogando com fornecedores, instituições credoras e demais stakeholders que podem ser obtidas condições mais favoráveis em termos de pagamento de dívidas, insumos, encargos ou impostos.

Portanto, se trata de uma questão de relacionamento. Assim como o pós-venda é importante para manter clientes fidelizados, saber como negociar e extrair dos fornecedores e parceiros condições vantajosas para negociar prazos e valores é muito importante.

Mais ou menos como diria o célebre Chacrinha “Quem não se comunica, se trumbica”. Deixar de expor suas necessidades para os parceiros do seu negócio é um erro que deve ser evitado.

No entanto, não se adquire a capacidade de negociar do dia para a noite. É necessária boa vontade, inteligência e profundo conhecimento sobre as finanças da empresa para que sejam conquistadas as melhores condições.

A administração do capital de giro, portanto, exige visão holística por parte de quem gerencia uma empresa. Quando se trata pequenos negócios, a margem para erro é menor, o que gera mais exigência ainda por atenção a todos os aspectos sobre as finanças.

Considerações finais

Aprendemos neste artigo mais sobre a administração do capital de giro, conceitos, erros e melhores práticas para gerenciar os recursos financeiros da empresa. Esperamos que você esteja melhor preparado agora para exercer com sabedoria o seu papel de gestor. Cuidar do dinheiro do negócio é fundamental para garantir a sua longevidade.

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E você, como vem administrando o capital de giro na sua empresa? Comente!

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Marcio Roberto Andrade
Sobre o autor

Controller na ContaAzul. Tem formação nas áreas de Computação, Gerenciamento de Projetos e Gestão Financeira, além das certificações PMP pelo PMI, ITIL Foundation pelo EXIN e Microsoft Certified Professional.

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